O Olhar Jornalistico de Luis Carlos Novais

  • 15 de junho de 2013
  • Rel Mendes
    Rel Mendes

    Boa tarde, Solange Sarmento, minha querida amiga e companheira de TEATRO!!! Segue aqui o texto de Luis Carlos Novais, digitado ipsis literis, pra facilitar a leitura do conteúdo. Penso que só esse texto bastaria pra você conhecer, profundamente, a pré-história do Teatro de Montes Claros que, na época, fez nossa cidade TEATRAR!!! Abraços, tantos...

    Luis Carlos Novais, SAPO NA MUDA, Jornal de Noticias, Montes Claros/ segunda –feira/ 08/09/2009

    Digitação, ipsis literis, do texto original!

    Romildo Mendes, foi o MDC da minha vida

    Em 1971, uma nova revolução ocorreu em Montes Claros. Mais especificamente, na EEPPR, a Escola Estadual Professor Plínio Ribeiro, ou simplesmente escola normal. Tudo começou quando o professor Romildo Mendes, depois de ficar horas e horas por entre as poesias de Manuel Bandeira, deixou-nos horas, dias e noites a estudar o poeta e sua obra. Queria nos levar com Manuel Bandeira para Pasárgada, onde teríamos a mulher ( ou o homem) que quiséssemos. Surgiu a pseudo- peça “Nós, Vocês, e Manuela Bandeira”, que terminava com o desligamento do poeta de Carlos Drummond. A arte completa/ a vida/ um arsenal de sons e sinos. Agora, Manuel Bandeira é pura poesia. Profundamente! Foram os anos em que convivemos com Rosângela, Eliane Jansen, Rosa, Líege, Lourde, Claudia, Pretinha de Amelina Chaves, Kal, Helena, Margareth, Márcia, Nilde, Nadir, Udo, Simona, Diórgene Câmara, Marcia Sá, Ismael Leite, Nilton Baleiro,João Luis Filhos, Fifelcino Antônio, Joba Costa, Ivone Silveira... Devo ter esquecido alguns, mais são os anos! Naquele ano louco de 1971, ainda, com reflexos do filme Woodstosk (assisti seis vezes com Ricardo Xarope e Udo, o Joba pelo menos umas dez. fez até uma camisa igual a do Jimi Hendrix), foi uma reunião apressada com a musica, a ternura e as pessoas. Romildo Mendes nos levaria a“Vomu Popono”, “Você, Música, Poesia, Poetas e Nós de Pasárgada”. Foi no segundo semestre, no mesmo palco da escola normal. Conforte influência Hair, sucesso mundial. Terminava com a leitura dos Estatutos do Homem, de Tiago de Melo, onde se frisava bem o amor sem amor. E a musica “Deixa o sol entrar” do musical que apresentava as artes e o corpo de Sônia Braga. Foi ano de aprender a guerrilha, de ensinamentos profanos contra nosso iguais. Foi ano de endurecimento. Em 1971 eles tinham matado, covardemente Carlos Lamarca, numa fazenda na Bahia, em 1972 cinco mil soldados ocuparam as margens do Rio Araguaia para combater guerrilheiros e limpá-los . Da face da terra. Foram mortos 60 membros do PCdoB e, até hoje, só um corpo foi identificado. 1972 foi ainda o ano de Leila Diniz nos deixar quando sobrevoava a Índia. Tempos de Caetano e Gil voltarem do exílio londrino. Tempo que Romildo nós guiou para algo no sentido realmente de atrevimento, de peça, desprendimento. Era a história de um negro, entre os sucesso que ela obteve no Brasil inteiro, a responsabilidade de não fazer feio nas terras montes-clarinas. Com Eliana Jasen puxando para a frente, “Pasárgada canta ( e conta) Zumbi”, de Augusto Boal & Gianfrancesco Guarnieri, com trilha de Edu Lobo foi um desbunde! A persistência do professor Romildo continuou em 1973, enquanto acontecia o golpe militar que depôs Salvador Allende no Chile, e acabou com guerrilha do Araguaia- quando o milicos, usando a tática da emboscada, mataram guerrilheiros na manhã do dia de Natal/ inclusive o líder, o ex deputado Mauricio Grabois. Essa persistência fez surgir outros grupos na cidade, como o Rock e o Meta, no Colégio São José. A turma no Plínio Ribeiro continuou. Foi tempo de Milenbra Pasárgada ( Mitos e Lenda do Brasil mostrados pelo grupo). Era uma pesquisa musical folclórica & folclórica, montada encima de estudos dos professores da escola. Mais complicada que a outra, vinha em quatro partes: “Vivendo Pasárgada”, “Folclore Bunsauicaia”, a “Bahia de Todos os Santos” e “Vou-me Embora pra Pasárgada”. Em 1974, enquanto nossos patrícios faziam a Revolução dos Cravos, acontecia aqui o canto do cisne da turma com a montagem de “Missa Leiga”, de Chico Assis. A comunhão do Grupo Pasárgada. Cá, estou contente, mas mande urgentemente um cheirinho de alecrim! Como Joba nos diz, em Allegro spirituoso, do seu Poema Sinfônio & Alucinado: “há tanto a comungar, tanto a renascer, amar (...) e é dado ao seus filhos que se fazem velho, apesar de novos, feios, apesar de bonitos, preconceituosos, apesar do germe da revolução, e evoluçãoque lhe é inerente”.

    Obs: Eu, professor Romildo Ernesto de Leitão Mendes, não necessitaria dizer mais nada depois desse transparente e translúcido texto, do grande jornalista Luis Carlos Novais. Porém, como ainda quedo-me de amor cá, pelo Grupo de Teatro Pasárgada da EEPPR e por todos os meus alunos e amigos como Luis Carlos Novais, Joba ( João Batista de Almeida Costa), Tino Gomes, Líege Rocha, Ernani Camisasca, Eliane Jansen, Rosângela, Marlene Oliveira Santos, Raquel Mendonça, Lourde, Claudia, Pretinha de Amelina Chaves, Kal, Helena, Margareth, Márcia, Nilde, Nadir, Udo, Simona, Diórgene Câmara, Marcia Sá, Ismael Leite, Nilton Baleiro,João Luis Filhos, Fifelcino Antônio, Ivone Silveira..., porque comigo, elaboraram a pré-história do Teatro de nossa amada Montes Claros que, na época, TEATROU!!!... Abraços, tantos....