5ª Pergunta

Tem alguma coisa importante que ainda não disse e que gostaria de deixar registrado?

              Eu, o TEATRO e minhas indagações tantas...

          Ponho-me, com certa freqüência, a refletir acerca da necessidade vital de estética, que o ser humano transporta consigo, em seu âmago, desde o ainda mistério de sua Gênesis.

          O ser humano anseia e carece do belo, cerca-se, acerca-se e permeia-se de beleza e, o melhor, sabe criá-la!... As cavernas que o digam!!!...

           Á essa tentativa ansiosa, de reelaboração simbólica do mundo, ouso, ainda, ou até que me convençam do contrario, a chamar de “ARTE”, porque fruto dos mais sublimes anseios da alma humana, que a todos encanta e se perpetua sob todas as suas formas, além do seu tempo, em todas as épocas!...

           Por que refletir com tanta persistência e afinco a cerca da “ARTE”?

Por uma série de porquês...

           -Porque a vida, ainda que bela, sendo frágil e passageira, por si só, “não basta” (afirma um poeta carioca contemporâneo e a ele proclamo minha adesão), ou seja, ela não é suficiente para unificar o homem pelo sentimento de sublimidade, espanto e deslumbramento ( conforme afirma minha sábia e intelectual amiga catrumana);

            -Porque a “ARTE”, sempre bela, é versátil, indomável (“escapa às pressões dos valores culturais instituídos”), isto se pode constatar no caso de Plínio Marcos. Ele não gostava de estudar, concluiu apenas o primário e, mesmo assim, sem formação acadêmica, se projetou no cenário nacional e internacional, como escritor, jornalista, ator e dramaturgo. Não quero com isto, fazer aqui apologia à desvalorização do conhecimento sistematizado (porque ele agiliza o metabolismo artístico do talento e acelera a ingestão dos segredos que a Arte esconde.), mas sim e apenas, desejo dar, ao talento, o valor que lhe é inerente, pois Plínio fez teatro, sem ter feito Curso de Artes Cênicas, fez literatura, sem ter feito Curso de Letras, fez jornalismo, sem ter feito Curso de Comunicação, e tudo, só na base do talento e da persistência, mas só com o tempo, foi colhendo, acumulando e solidificando os conhecimentos técnicos imprescindíveis para o exercício eficiente de tão nobres ofícios. Algumas de suas obras teatrais: “Navalha na Carne”, “Barrela”, “Dois Perdidos Numa Noite Suja”...;

             -Porque a “ARTE” é versátil, maleável e generosamente inclusiva, já que também eclode emergindo da periferia da sociedade acadêmica estruturada, para nesta, novamente, se derramar garbosa, com o nome de “Cultura Urbana”, como se fora uma pororoca antropofágica;

              - Porque a “ARTE” é eterna, já que perdura “al di la” de quem a elabora;

              - Porque a “ARTE” é quase divina, já que é a transpiração da inspiração que é sublime;

              - Porque a “ARTE” e o seu agente, o (a) artista, penetram na sinuosidade da realidade social e, sempre clamando, até a exaustão, por liberdade e justiça, protestam!... Destarte, deslumbram-nos e encantam-nos com suas mais diversificadas manifestações artísticas, (música, literatura, artes plásticas, artes cênicas- teatro, dança,...), a fim de nos emergir a condição de garimpeiros de emoções, condição esta que nos conduz ao “BELO” (àquilo que nos satisfaz, ainda que por instantes...). 

           O artista, diga-se de passagem, é um “bufarinheiro” de emoções, e não, um vendedor de técnicas acadêmicas, ou seja, sem talento, nada a fazer!. Pois, segundo, Teles, Maria Luiza Silveira- In Filosofia para jovens: uma iniciação à filosofia- 19. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011, à pag. 27: “pensamos ser uma falácia supor que o “MÉTODO” pode tornar-se o significado e o objeto da arte.” 

Não por acaso, há bem pouco tempo, o STF desvencilhou os jornalistas e os músicos da obrigatoriedade acadêmica ortodoxa, para o exercício do oficio!

            Dentre as diversas facetas da “ARTE”, aquela pela qual me quedo de paixão é o TEATRO!...

             Há TEATRO!!! Essa bela arte do faz de conta, fazendo de verdade!!!...

           -Fazer TEATRO é trazer à baila toda sorte de questionamentos humanos;

           -Fazer TEATRO é debulhar cenas com a mesma naturalidade das crianças que buliçosas, se lançam aos folguedos da infância, sem economias;

           -Fazer TEATRO é tecer momentos de ternura, de alegrias e de tristezas do cotidiano, como o fazem as mãos habilidosas das rendeiras do Ceará, ou das bordadeiras das Gerais;

           -Fazer TEATRO e ser capaz de se emprestar ao personagem que de nós necessita;

          - Fazer TEATRO é ofertar nossas sandices e ledices, sem avareza, ao personagem que delas necessite, para emocionar a platéia que de emoções carece;

           -Fazer TEATRO é a gente ser capaz de ser a gente mesmo, num lugar qualquer que nos emprestam, para que sejamos um outro qualquer;

           -Fazer TEATRO é caminhar  “de mãos dadas” ( C.Drummond) com “o difícil outro” (Pedro Casaldáliga), para que “o difícil eu” (P. Casaldáliga) possa distribuir emoções por ai afora;

          -Fazer TEATRO é se permitir enxergar que “as coisas estão no mundo” (Paulinho da Viola) e que é só preciso ver e apreender; 

           -Fazer TEATRO é viver uma liturgia que proclama louvores aos momentos corriqueiros do cotidiano, que se derramam a cada instante da vida;

           -Fazer TEATRO é tornar-se um “Pelicano”, pra nos palcos da vida partilhar emoções tantas, com quem necessita delas;

           -Enfim, fazer TEATRO é se lançar pelas trilhas dos que nos precederam, garimpando e colhendo suas experiências, para enfeitarmos melhor esse nosso mágico oficio de pintar cenas (Zimba ou Ziembinski), conscientizar e politizar platéias (Brecht ou Berthold Brecht), preparar atores (Constantim Stanislavski), ridicularizar costumes de época e de épocas ( Molière ou Jean-Beaptiste Poquelin), contar causos safados com bastante irreverência, e de tantos outros

eteceteras...

           -Apesar das controvérsias, TEATRO bom para mim...

É o teatro amador, porque o fazem por AMOR!...

Contudo, não há como abrir mão da formação acadêmica em Artes Cênicas, quando elas se tornam acessíveis a todos, porque agiliza o processo do fazer TEATRO!!!

Nessa explanação de minhas divagações acerca da “ARTE” e de artes, não há outra pretensão que não seja a de como melhor fazer TEATRO!!! 

       Montes Claros, 07-06-2013

       Romildo Ernesto de Leitão Mendes (RELMendes)